segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Minas é do tamanho da França




Para quem é mineiro, essa comparação é clássica! O área do território mineiro é bem próxima da francesa, com a diferença que aqui eles chamam o país de "o hexágono" e lá nós temos a nossa "velha"...para os cariocas de plantão, consultem o mapa de Minas e isso será rapidamente compreendido. Fica a menção, antes de entrar no assunto principal, que eles também, quando falam de Minas, descrevem que é um estado no Brasil que têm a mesma área de seu país, enfim, além disso, da relação íntima com o queijo e com o meio rural, as semelhanças se encerram por aí!
Obviamente que vocês sabem que não vou aqui tentar traçar um parâmetro de comparação babaca entre os dois lugares no intuito de igualar as Minas Gerais à França, deixo isso para os deslumbrados tanto por uma quanto por outra. A minha relação aqui é de saudade, mas de uma saudade de Minas que não tem tamanho, sem fim que nem ela e talvez só compreendida por quem entende Minas...
E já de cara vou esclarecendo que a Minas da qual falo é a minha Minas, Belo Horizonte, que se estende até Ouro Preto...ou então da minha outra Minas, Ouro Preto, que se estende até Belo Horizonte...
Paris, ao contrário de Beagá, concentra tudo que acontece aqui na França, injustiçando o interior do país que, pelo que dizem, é lindo e possui pessoas mais simpáticas que as daqui (o que já foi confirmado por mim)! Belô não tem essa pretensão, nunca concentrou Minas e nem vai fazê-lo, pois Minas são muitas e é bom que seja assim, e a minha Minas belorizontinaouropretana tem coisas que só ela e que fazem uma falta imensa aqui!
Os amigos obviamente são a falta que mais pesa, isso é inútil dizer e só me resta esperar reencontrá-los no breve dezembro...falo aqui da cachaça, do pão-de-queijo (aquele lá da Praça Tiradentes de OP), do queijo minas (que não é o frescal que os cariocas comem achando sê-lo), do canastra, das mesas de bar, do torresmo, da cerveja de garrafa e daquela sensação terna de estar sendo protegido e oprimido pela Serra do Curral e do Itacolomi. Depois de morar quase quatro anos fora de lá, aquele ritmo faz uma falta que não temos idéia quando partimos. Uma pinga regando um Rochedão...ai,ai,ai...quanto eu não daria por um Rochedão agora, um pastel de angu, um tropeiro, um frango ao molho pardo, um quiabo...a gente quase começa a gostar de verdade do Clube da Esquina e fico até com medo de pensar na chance de, ficando longe muito tempo, algiém possa passar a gostar até de Jota Quest!
Mas este texto aqui é meio que um devaneio de quem está estudando Ouro Preto a partir de uma universidade carioca em Paris, é só um retorno breve e sem graça ao Blog, que começou quando estava longe de eu retomar a escrita de minha tese, e agora chega a hora de voltar e aí é que as idéias que estão o tempo todo lá em Ouro Preto, se misturam com a saudade de um copo sujo em plena Savassi e são massacradas pela Torre Eiffel sempre presente para nos lembrar que o Itacolomi está lá bem longe...









terça-feira, 19 de junho de 2007

A torre de Babel!


Depois de muito tempo sem escrever, retorno ao Blog. A ausência se deu devido a uma série de viagens em um curto espaço de tempo: Berlim em maio, Lisboa e Madri em junho... Não vou escrever sobre Berlim, desolée, não estou muito afim... Mas não posso deixar de relatar a aventura vivida em Lisboa e a grata surpresa que foi Madri!

Fui a Lisboa para participar de um Congresso, o FICYURB (Firts International Congress of Young Urban Researchers - https://conferencias.iscte.pt/index.php?cf=3), onde apresentei um trabalho sobre meu mestrado a respeito da tentativa de colocação autoritária de um muro em torno da minha querida Favela da Maré (saudades da cerveja e da carne de sol com mandioca!!!!!!!!!). Enfim, não estou aqui para dissertar sobre nenhum tema acadêmico agora, mas não posso fugir de lhes contar o inusitado que foi participar de um Congresso Internacional cujas línguas oficiais eram o inglês, o francês e o português! Desnecessário falar que a maioria absoluta dos trabalhos foram apresentados através da última flor do Lácio! No mínimo, hilário!

Obviamente que alguns presentes, como turcos, indianos e canadenses acabaram se sentindo um pouco desconfortáveis em muitos debates. Mas não pude deixar de perceber ali um conflito que representava algo muito além do Congresso. Foi instigante ver a reação das pessoas diante de uma língua incompreendida, e perceber que aquela língua era a sua. Estranho sentir-se como o dominador. De certa forma, naquele espaço e naquele momento, quem falava português detinha o poder. Conseguia vantagens não apenas intelectuais ao desfrutar de todos os debates, mas também conseguia achar mais fácil o banheiro, tomar um café, pedir um isqueiro emprestado (em Portugal se fuma até no Ministério da Saúde, uma beleza!!). Mas ao mesmo tempo é incômodo perceber que os outros ficam de fora, saber que você está perdendo alguma boa contribuição ao seu debate porque aquele italiano lá do cantinho não entendeu sua apresentação...e, enfim, mais do que tudo, deu para perceber que essa história de língua predominante é uma merda e que estamos longe de arranjar uma solução para isto, pois caso todos falassem em inglês ou francês os excluídos mudariam, mas não desapareceriam! Recomendo a vocês assistir um filme que me indicaram uma vez que trata disso de uma forma interessantíssima, coincidentemente, ele é português: "Um filme falado"

Termino com as impressões que tive de Madri e é impossível não compará-la a Paris...Madri também é linda, é mais alegre, mais barata e nos reserva mais surpresas que Paris! Não que ma ville d'aujourd'hui seja monótona e feia, mas os três dias passados em Madri com amigos (novos ou não) todos queridos, foram uma recarga de energia boêmia...há quanto tempo não saía para encher a cara, rir na rua de madrugada e sentir calor humano. Adorei Madri e repito, não é que em Paris não se encontre essa alegria, mas em Madri a gente tropeça nela, até porque depois da bebedeira, a gente tropeça em tudo mesmo! Olé!!!

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Attention à la marche!!

Apesar do Galo merecer ficar em cartaz sempre aqui no Blog, os leitores merecem ler outras coisas por aqui. Vou dar um tempo na política e no futebol para falar de minha outra paixão: a cidade!
Obviamente falarei de Paris, isto é, da forma como esta cidade se mostra para a gente. Certa vez o cartunista francês Janô afirmou que o Rio de Janeiro é daquelas cidades que habitam a cabeça de todos os habitantes do mundo como um sonho a ser presenciado. Acredito que Paris repita o feito, e saibam que minha cabeça de urbanista também tinha Paris como uma cidade chave para o globo em diversos aspectos, e fiquem tranquilos pois apesar do Blog ter ganho um ar meio reclamão, não pretendo aqui acabar com a cidade de Paris, não pretendo ser tão iconoclasta assim, o máximo que digo é que o Rio de Janeiro é, de longe, bem mais bonita.
Mas aqui existe uma rotina que, apesar de uma desvantagem de que falarei depois, traz consigo um caráter de eterno encantamento, ainda mais para um mineiro que nasce com a nostalgia dos trens da Central que nunca viu rodar em suas terras: andar de metrô!

Paris vive subterraneamente: as 14 linhas de metrô que rasgam a pequena cidade (Paris tem um tamanho próximo ao de Belo Horizonte) criam uma agitação acelerada que não transparece no andar térreo. Mesmo sem garantir o fim dos engarrafamentos, é ele que faz a cidade andar numa malha tão ampla que às vezes me parece desperdiçada por não ser transformada em montanha russa pública, com subidas e descidas radicais, que seria ainda mais emocionante! Mas mesmo assim o metrô tem seus encantos, e um deles é o desespero de quem fala e acredita no Esperanto. Os trens de Paris são a prova viva de que uma língua única é desnecessária no mundo: poucas vezes peguei um carro sem ouvir pelo menos três línguas (das que são identificáveis) diferentes e ninguém perde o fio da meada por causa disso, mesmo quando ouvimos o nome da estação Franklin Roosevelt ser pronunciado como Franklã Roosevelt, todo mundo desce no lugar certo! E mesmo se descer errado, o clichê que diz ser bom se perder em Paris é verdade (aliás, tá pra surgir a cidade em que não seja bom se perder).
Mas o metrô têm um lado sombrio que é exatamente não vermos a cidade. Poucos trajetos não são subterrâneos, de modo que acabamos conhecendo Paris pelas cores de cada linha, pelos nomes das estações: moro perto da Jules Joffrin, linha verde ou 12, ou da Simplon, linha roxa ou 4, estudo perto de Rennes, gosto de bater pernas com Renata no Château Rouge e adoro ir lá para os lados da Odeon. Em verdade, não utilizamos tal toponímea para definir os destinos dos passeios cotidianos, não são muitos os nomes de estação que coincidem com a região do andar de cima (aqueles geralmente se referem às ruas que estão sobre nossas cabeças), porém, é assim que acabamos pensando a cidade.

É assim que vamos construindo o mapa em nossa cabeça, um mapa que se confunde em seus diferentes níveis, em nossa mente é como se o metrô de vez em quando rasgasse o asfalto e saltasse pela rua e fôssemos aos poucos dominando Paris, que, assim como seus moradores, não se abre tão facilmente. Mas quando se abre é bem generosa, e esta é, talvez, a maior vantagem de andar de metrô: sempre que se sai de uma estação se tem a impressão de que algo novo está se mostrando aos poucos, como vento levantando saia curta; e os segundos, ou minutos, de completa falta de direção quando se alcança a rua te obrigam a observar sempre a paisagem para se localizar, por mais conhecida ela que seja, quebrando assim o pior vício da rotina, a indiferença!


P.S.: Existe um livreto ótimo daqui sobre objetos encontrados no metrô, dentre instrumentos musicais e uma perna mecânica, já encontraram fantasia do carnaval carioca!
Quem quiser conferir a rede metrô daqui: http://www.ratp.fr/

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Nós somos do Clube Atlético Mineiro...

GAAAAAAALOOOOOO!!!!!!!!!

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Ainda sobre a eleição...

Sabem que política é igual cachaça e sabem também o quanto gosto de cachaça...de todas! De modo que me é difícil parar de falar disso, ainda mais diante de uma situação como a atual: as eleições presidenciais. Como estão chegando ao fim, acredito que em breve começarei a falar mais sobre outros assuntos um pouco menos duros, mas não menos importantes.
Quarta-feira passada, dia 2 de maio, ocorreu o tão esperado debate eleitoral entre os candidatos do segundo turno. É um evento tão esperado aqui quanto no Brasil. O histórico dos debates eleitorais aqui é super interessante. A guerra começou ainda com Mitterand, em sua primeira eleição, quando perdeu por pouco e certamente o resultado fora influencado por sua péssima, sobretudo ingênua, participação no debate, isso fora em 1974...Depois os mesmos candidatos se enfrentaram em 1981 e Mitterand já estava bem mais preparado, senão "marketinezado" e papou não apenas o debate como a eleição. O seguinte fora o famoso debate Mitterand X Chirac, quando este repetiu a "performance" do anterior em 74 (vale à pena fuçar sobre o famoso "regarde dans mes yeux!!"). Eis que Chirac ganhou depois de Jospin e eis que, em 2002, aconteceu de não haver debate...Caso não se lembrem em 2002 a esquerda não foi ao segundo turno, depois de uma estratégia de boicote às eleições o segundo turno foi disputado entre Chirac e Le Pen, e aquele se recusou a debater com um candidato como Le Pen, papou as eleições assim mesmo e deixou os franceses com vontade de quero mais... Até quarta-feira passada quando Segolène e Sarkozy protagonizaram um debate bem interessante que, na minha opinião, reforçou minha visão negativa da moça...dele eu não esperava nada mesmo!
E eis porque eu digo que ela enfraquece, e quando digo "ela" me refiro obviamente ao PS, o debate da esquerda, utilizando-se de argumentos à lá PT, isto é, buscando um capitalismo doce...
Vou apresentar-vos mais concretamente minhas críticas a ela a partir do debate, não pensem que acredito que tudo que ela disse é ruim e nem mesmo que penso que Sarkozy é um melhor candidato, mas vamos ao que interessa:

Quero uma França competitiva, onde inclusive as universidades de cada região francesa auxilie as empresas a crescer e se desenvolver! Foi mais ou menos assim que propôs a melhoria da economia francesa...e onde mora o perigo? Primeiramente, não acredito em sociedade competitiva, prefiro uma sociedade cooperativa e as diferenças são enormes!!! Não quero universidades voltadas para um desenvolvimento econômico, mas prefiro um desenvolvimento econômico que beneficie a educação, esta é um objetivo humano, não aquela! Não acredito que será a partir de uma economia competitiva que os empregos voltarão nem aqui, nem na China (he,he). E, ainda mais, não posso crer que alguém que se diga de esquerda conceba uma sociedade focada na competitividade...

O Iran não deve enriquecer urânio nem mesmo para fins civis, posto que não aceita visitas das comissões internacionais para averiguar sua produção! Ora, por acaso a França vai parar de produzir bombas? Por acaso a França pode abrir mão da energia nuclear? E por que o Iran não pode? Porque esta presunção, esta necessidade de superioridade, essa arrogância?

Não vou mais me deter aqui porque o post está já enorme, mas ainda haveria mais argumentos do mesmo naipe. Findo com o seguinte: o autoritarismo, a arrogância e a competitividade ela devia ter deixado para o Sarkô, que é bem mais eficiente nisso, conquista mais votos junto a quem acredita nisso e faz melhor, afirmando, por exemplo, que não acredita em uma sociedade igualitária, mas acredita que quem trabalha mais deve ganhar mais...enfim, ele sim acredita na competitividade...e quem crê nisso vai votar nele...eu votaria se acreditasse!
Mais do que nunca a esquerda tem que repensar suas estratégias, suas ações, suas idéias e, principalmente, seu autoritarismo e arrogância, ou deixaremos sempre a direita ganhar, pois nisso eles são mais sinceros e eficientes do que nós, temos que parar de temer e acreditar mais em nossos projetos e não sonhar com um capitalismo doce...sinto muito amigos, mas Sarkô vai ganhar! Felizmente o Galo também!

segunda-feira, 23 de abril de 2007

O centro!

Sei que ainda estou devendo a análise das propostas da Segô, mas quando a estava fazendo no sábado, véspera das eleições, o computador deu um pau danado, fiquei receoso de ser alguma praga do Partido Socialista e sosseguei meu facho...volto agora, portanto, com uma análise, se é que se pode dizer assim, sobre os resultados do primeiro turno das eleições francesas. Pelo que vi a imprensa brazuca não está dando uma informação super importante que há todo tempo é colocada aqui: a França agora tem um centro!
François Bayrou é seu nome, UDF seu partido, deve ser Union Democratique Française... O cara tá com a faca e o queijo na mão. Vamos lá..o primeiro turno acabou como toda a torcida do Paris Saint Germain já sabia, Sarkô na frente (31%), Segô atrás (25%) e a Bayrou em terceiro . Mas o cara teve 18%!!! A cosa aqui está repercutindo fortemente. Após a divulgação semi-oficial dos resultados o Bayrou falou aos seus eleitores declarando que agora a França tem um centro!!! Enfim, depois de muito tempo, eles conquistaram um PMDB só para eles!!!!!
Mas onde mora o perigo? A meu ver, em toda a parte. Para mim, a única coisa boa desta eleição até agora, é que o Le Pen ficou em quarto, com "apenas" 10%. Mas estão surgindo diversos fantasmas aqui que me parecem delicados.
O primeiro deles é que, com a existência de um centro, houve a divisão entre a UMP (Sarkozy) e o PS (Segolene) como se fosse uma divisão forte e clara entre direita e esquerda. Não é! Obviamente que o Sarkozy é de direita, mas não nos enganemos ao dizer que Segô representa realmente um forte projeto de esquerda, popular, antiliberal ou mesmo anticonsumismo. Só para constar, uma de suas bandeiras é melhorar o poder de compra do franceses...Parece-me uma política muito focada em um capitalismo doce, ilusão dos reformistas de todo o mundo.
O segundo perigo é esta divisão marcar uma nova fase da democracia francesa à lá Estados Unidos, isto é, bipartidária. Pode parecer exagero meu, mas nas últimas eleições a soma dos votos dos dois primeiros candidatos chegava a uns 30%, desta vez chegou a 55%!!!! Não fosse o Bayrou e talvez tudo se resolvesse no primeiro turno. A esquerda foi muito pouco votada, o PC teve seu menor índice da história (uns 2%)...e não acho que isso fora apenas resultado do voto útil pró-Segô não...
Mas o perigo real e imediato mesmo é o Sarkô ganhar. Com todas as minhas críticas, acredito que a vida na França será menos dura para os pobres caso a Segô vença, além disso a repressão a eles será muito forte caso o Sarkô ganhe e a(s) violência(s) aos imigrantes não será moleza. Portanto, é torcer para a Segô e entrar na campanha fora Sarkô. Todos os candidatos de esquerda já declararam votos a ela, o Le Pen não disse nada nem sei se vai dizer, mas a maioria de seu eleitorado vota no Sarkô...quando ao Bayrou, só dará declaração na quarta, e é a declaração mais esperada da semana, viram como o cara tá podendo? Enfim, segundo pesquisas seu eleitorado está dividido entre os dois do primeiro turno, o que torna sua negociação e decisão na quarta ainda mais importante.
Seguem os links para as análises (nifográficos e mapas) do Le Monde:
Por fim, somando os votos da esquerda, Bayrou e cia, e segundo as pesquisas até agora a Segô alcançaria 46 ou 47% no segundo turno...enfim, é difícil, já disse no primeiro post que o Sarkô ganha, ma acredito na esquerda francesa e acho que ela lutará forte, mas a esquerda sozinha, lembrem-se, só conseguiu poucos votos...

terça-feira, 10 de abril de 2007

86,98,2006...

Para bom entendedor, meia palavra basta! Os números supracitados dão um certo frio na espinha de qualquer um que saiba da existência do futebol...enfim, todos vocês que estão lendo este Blog. Mas antes de comentar sobre tais eventos, é melhor inverter a jogada para explicar um pouco de minhas reflexões sobre o esporte com sangue bretão, mas talento sul-americano...
De uns tempos pra cá, sobretudo quando da mudança das regras do Campeonato Brasileiro para pontos corridos, venho pensando sobre o que pode ser uma caracterização de uma boa equipe de pelota. À época, lembro de muitos afirmando, fosse na imprensa, fossem nos botecos, que o campeonato havia ficado mais justo (?), devido ao fato que os times que possuem uma constância seriam valorizados com a nova forma de pontuação do capeonato...Para mim, esta foi (mais) uma trapalhada da CBF na direção de criar um campeonato cada vez mais comercial. Lembro-me de ver vários noticiários esportivos que começaram a valorizar a estrutura dos clubes como motvo de glória, até o exagero mesmo do Globo Esporte que começou a divulgar, quando mostrava algum time em suas reportagens, o valor da folha de pagamento (!) de cada um, mostrando sua potência futebolística...como se futebol se tratasse de constância, permanência, dinheiro, justiça...nada disso, o futebol sempre foi contraditório, transformador, surpreendente!
Recuando um pouco, fiquei me esforçando por tentar compreender uma nova forma de valorizar uma equipe, de modo que, há alguns anos, valorizo um time não apenas por seu futebol em campo, e nunca pelo seu lastro de ouro, mas por seu espelho mais fiel, sua torcida. Para mim, além da bola rolando haverá sempre o eco das arquibancadas para lastrear um time, este sim um patrimônio inestimável daquilo que o futebol tem de mais belo, a alegria que ele traz.
Parto para o ataque enfim vos contando minha experiência em uma noite que fui assistir com Renata ao amistoso França(1) x Áustria(0). Obviamente que o que acontecia no campo só me deixava cada vez mais sem palavras diante dos ocorridos nas datas que dão nome a esta postagem. Em campo, ao vivo, houve a confirmação do que já havia assistido diante da televisão (antes de cochilar), um futebol sem graça, do pior tipo do chamado futebol novo do corre-corre e sem (g)raça, futebol de resultados, futebol do Parreira, futebol neoliberal, enfim, como preferirem, aquele futebol que o Cruzeiro, por exemplo, gosta de apresentar (ôpa, falta!).
Mas passo a bola para então meu argumento inicial sobre uma equipe e a sua torcida. Alegria, suavidade, tranquilidade seriam as palavras para definir os franceses em um estádio, que é um verdadeiro "programa-familia" por aqui. Com seus gritos de "Allez les bleues!" que são legais no início e chatíssimos depois por serem os únicos, a torcida fica lá, apertando aquelas insuportáveis buzinas e fazendo umas dez "holas" seguidas...Ou seja, a torcida vai ao estádio para se divertir em conjunto, em grupo...As holas se tornam uma grande atração a parte, senão a única, e a toda hora a gente tem que levantar, nem que seja so um braço, para acompanhar a multidão.
Matando no peito, a torcida faz isso e tem que fazer por que não estão lá para ver um bom futebol, esta é a minha conclusão...É impossível assistir direito ao jogo com tanta macaquisse na platéia...Não, eles não estão lá para dar força à equipe, mas para se divertir enquanto torcida, o que me faz concluir que, chutando a bola, a Seleção é incapaz de atrair a atenção dos espectadores, que preferem prestar atenção nas vinte ou trinta holas que fazem durante o jogo (não é exagero)...mas enfim, ganharam da gente em campo em 86, em 98 e 2006...bola na trave!!!!

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Immigration choisie! Aqui e agora!

Antes de tocar no assunto do título desta postagem, acho prudente explicar a motivação da criação deste Blog...Além do motivo mais óbvio, que é a minha necessidade de escrever algo não relacionado ao doutorado enquanto as idéias da tese se confundem na minha cachola, achei importante registrar aqui as impressões que tenho desta experiência incrível que é passar um ano fora do país! Não pretendo apenas esculachar com a França, posto que há milhares de coisas bacanas a serem ditas sobre a terra de Asterix. Mas a gente passa por cada perrengue aqui que considero fundamental refletir sobre algumas questões que percebo como bastante problemáticas.

Dito isto, demos início ao assunto que mais me preocupa, que é a decadência sem elegância da sociedade francesa, ou, por outro ponto de vista, seu endurecimento com total perda de ternura!

Estamos em pleno ano eleitoral, o que torna a estadia aqui super propícia à confecção de certo tipo de diagnóstico sócio-político. Resumindo a situação, existem dois candidatos que concorrem fortemente ao cargo, o Sr. Nicolas Sarkozy e a Sra Ségolène Royal. Aquele assumidamente de direita, uma espécie de Alckmin francês, só que com as maiores chances de ganhar e um pouquinho mais bravinho; esta uma socialista de centro esquerda, com propostas nem lá nem cá, uma espécie de Lula francês.
Vou me deter hoje sobre o Sarkozy, ou Sarkô, como é carinhosamente chamado por aqueles que o malham direto e reto em diversas músicas e vídeos que circulam internet afora (vale à pena fuçar o youTube). Deterei-me nele porque, pela análise dos fatos, ele deve ganhar sem muitos problemas. Lembremos que a França disse NÃO à constituição da Comunidade Européia por motivos muito distantes de qualquer repúdio ao neoliberalismo, e some-se a isso que existe um eterno canditato aqui, o Jean Marie Le-Pen, ultra direitista, tipo um filho de Sarney com ACM, que carrega um certo número de votos que sem dúvida serão deslocados para o Sarkô no segundo turno, garantindo sua vitória.
Os franceses não perdem a pose, mas estão temerosos com o aumento do desemprego,mesmo com alguns pequenos dados de melhora no início deste ano, e, obviamente, colocam a culpa no lado mais fraco, os imigrantes, como era de se esperar.
Daí surge uma das propostas mais comentadas do Sarkô, apoiada por mais da metade dos franceses, segundo pesquisa realizada aqui, de criar um "Ministério da Imigração e da Identidade Francesa"...é isso mesmo, pasmem...Este famigerado ministério cuidaria do que ele chama de Immigration Choisie, ou Imigração escolhida, em bom português, que significa nada mais, nada menos que definir um certo padrão social de pessoas que poderiam pleitear uma permanência legal aqui na França, no intuito de manter um certo "padrão francês de qualidade" na hora de escolher os imigrantes. Vou vos poupar de descrever o real significado disto, tá bom?
Mas eis que entra uma questão muito mais importante. Na minha opinião, pouca coisa vai mudar. Vai até piorar, mas não tenhamos a ilusão que até a chegada do Sarkô ao poder as coisas sejam diferentes . A imigração já é, disfarçadamente, "choisie"...
Como muitos sabem, eu vim para cá com minha querida e amada esposa. Para ficarmos mais de três meses na França, nós, brasileiros, precisamos de tirar um visto ainda no Brasil e, depois disso, tirar um documento aqui, uma espécie de CI (ou RG) de imigrante. Fora todas as questões referentes à burocracia francesa, que certamente será motivo de alguma postagem em breve, temos que desembolsar a quantia, no total para os dois, de 490 Euros (90 no Brasil só para a Renata + 55 para mim aqui + 275 para a Renata aqui - minha taxa é mais baixa pois venho como estudante)!!
Não bastasse a extorsão, a Renata ainda tem que assinar um papel (um no Brasil e outro aqui) declarando que não vai realizar nenhuma atividade remunerda durante sua estada (detalhe, ela já até recebeu proposta para trabalhar, mas não dá mesmo)! Se isto já não é uma imigração escolhida eu não sei o que é! Infelizmente é essa a situação daqui da França, uma tristeza ver uma nação que simboliza tão fortemente no mundo uma luta por uma cidadania plena se afundar nesta lama de intolerância e retrocesso social.
Há muitas reflexões a se fazer a respeito do que falei acima, mas não aumentarei esta já longo post, tentarei me deter melhor nisto ao analisar a vida dos imigrantes "sans papier" como também as propostas da Segô, para vocês verem que não exagero ao dizer que ela está com propostas meio perdidas!
Obviamente que farei uma crítica mais detida sobre o comportamento da esquerda francesa contemporânea, assim como sobre a comida francesa, sua música e, obviamente, sobre seu futebol, que deverá ser assunto do próximo post, por conter um caráter claramente mais importante que todo o resto e que só não inaugurou o Blog porque estou particularmente puto com o desembolso recente desta grana para pe(a)gar o tal documentinho...abraços a todos e agradeço a leitura.