Apesar do Galo merecer ficar em cartaz sempre aqui no Blog, os leitores merecem ler outras coisas por aqui. Vou dar um tempo na política e no futebol para falar de minha outra paixão: a cidade!
Obviamente falarei de Paris, isto é, da forma como esta cidade se mostra para a gente. Certa vez o cartunista francês Janô afirmou que o Rio de Janeiro é daquelas cidades que habitam a cabeça de todos os habitantes do mundo como um sonho a ser presenciado. Acredito que Paris repita o feito, e saibam que minha cabeça de urbanista também tinha Paris como uma cidade chave para o globo em diversos aspectos, e fiquem tranquilos pois apesar do Blog ter ganho um ar meio reclamão, não pretendo aqui acabar com a cidade de Paris, não pretendo ser tão iconoclasta assim, o máximo que digo é que o Rio de Janeiro é, de longe, bem mais bonita.
Mas aqui existe uma rotina que, apesar de uma desvantagem de que falarei depois, traz consigo um caráter de eterno encantamento, ainda mais para um mineiro que nasce com a nostalgia dos trens da Central que nunca viu rodar em suas terras: andar de metrô!
Obviamente falarei de Paris, isto é, da forma como esta cidade se mostra para a gente. Certa vez o cartunista francês Janô afirmou que o Rio de Janeiro é daquelas cidades que habitam a cabeça de todos os habitantes do mundo como um sonho a ser presenciado. Acredito que Paris repita o feito, e saibam que minha cabeça de urbanista também tinha Paris como uma cidade chave para o globo em diversos aspectos, e fiquem tranquilos pois apesar do Blog ter ganho um ar meio reclamão, não pretendo aqui acabar com a cidade de Paris, não pretendo ser tão iconoclasta assim, o máximo que digo é que o Rio de Janeiro é, de longe, bem mais bonita.
Mas aqui existe uma rotina que, apesar de uma desvantagem de que falarei depois, traz consigo um caráter de eterno encantamento, ainda mais para um mineiro que nasce com a nostalgia dos trens da Central que nunca viu rodar em suas terras: andar de metrô!
Paris vive subterraneamente: as 14 linhas de metrô que rasgam a pequena cidade (Paris tem um tamanho próximo ao de Belo Horizonte) criam uma agitação acelerada que não transparece no andar térreo. Mesmo sem garantir o fim dos engarrafamentos, é ele que faz a cidade andar numa malha tão ampla que às vezes me parece desperdiçada por não ser transformada em montanha russa pública, com subidas e descidas radicais, que seria ainda mais emocionante! Mas mesmo assim o metrô tem seus encantos, e um deles é o desespero de quem fala e acredita no Esperanto. Os trens de Paris são a prova viva de que uma língua única é desnecessária no mundo: poucas vezes peguei um carro sem ouvir pelo menos três línguas (das que são identificáveis) diferentes e ninguém perde o fio da meada por causa disso, mesmo quando ouvimos o nome da estação Franklin Roosevelt ser pronunciado como Franklã Roosevelt, todo mundo desce no lugar certo! E mesmo se descer errado, o clichê que diz ser bom se perder em Paris é verdade (aliás, tá pra surgir a cidade em que não seja bom se perder).
Mas o metrô têm um lado sombrio que é exatamente não vermos a cidade. Poucos trajetos não são subterrâneos, de modo que acabamos conhecendo Paris pelas cores de cada linha, pelos nomes das estações: moro perto da Jules Joffrin, linha verde ou 12, ou da Simplon, linha roxa ou 4, estudo perto de Rennes, gosto de bater pernas com Renata no Château Rouge e adoro ir lá para os lados da Odeon. Em verdade, não utilizamos tal toponímea para definir os destinos dos passeios cotidianos, não são muitos os nomes de estação que coincidem com a região do andar de cima (aqueles geralmente se referem às ruas que estão sobre nossas cabeças), porém, é assim que acabamos pensando a cidade.
Mas o metrô têm um lado sombrio que é exatamente não vermos a cidade. Poucos trajetos não são subterrâneos, de modo que acabamos conhecendo Paris pelas cores de cada linha, pelos nomes das estações: moro perto da Jules Joffrin, linha verde ou 12, ou da Simplon, linha roxa ou 4, estudo perto de Rennes, gosto de bater pernas com Renata no Château Rouge e adoro ir lá para os lados da Odeon. Em verdade, não utilizamos tal toponímea para definir os destinos dos passeios cotidianos, não são muitos os nomes de estação que coincidem com a região do andar de cima (aqueles geralmente se referem às ruas que estão sobre nossas cabeças), porém, é assim que acabamos pensando a cidade.
É assim que vamos construindo o mapa em nossa cabeça, um mapa que se confunde em seus diferentes níveis, em nossa mente é como se o metrô de vez em quando rasgasse o asfalto e saltasse pela rua e fôssemos aos poucos dominando Paris, que, assim como seus moradores, não se abre tão facilmente. Mas quando se abre é bem generosa, e esta é, talvez, a maior vantagem de andar de metrô: sempre que se sai de uma estação se tem a impressão de que algo novo está se mostrando aos poucos, como vento levantando saia curta; e os segundos, ou minutos, de completa falta de direção quando se alcança a rua te obrigam a observar sempre a paisagem para se localizar, por mais conhecida ela que seja, quebrando assim o pior vício da rotina, a indiferença!
P.S.: Existe um livreto ótimo daqui sobre objetos encontrados no metrô, dentre instrumentos musicais e uma perna mecânica, já encontraram fantasia do carnaval carioca!
Quem quiser conferir a rede metrô daqui: http://www.ratp.fr/
P.S.: Existe um livreto ótimo daqui sobre objetos encontrados no metrô, dentre instrumentos musicais e uma perna mecânica, já encontraram fantasia do carnaval carioca!
Quem quiser conferir a rede metrô daqui: http://www.ratp.fr/
