sexta-feira, 18 de maio de 2007

Attention à la marche!!

Apesar do Galo merecer ficar em cartaz sempre aqui no Blog, os leitores merecem ler outras coisas por aqui. Vou dar um tempo na política e no futebol para falar de minha outra paixão: a cidade!
Obviamente falarei de Paris, isto é, da forma como esta cidade se mostra para a gente. Certa vez o cartunista francês Janô afirmou que o Rio de Janeiro é daquelas cidades que habitam a cabeça de todos os habitantes do mundo como um sonho a ser presenciado. Acredito que Paris repita o feito, e saibam que minha cabeça de urbanista também tinha Paris como uma cidade chave para o globo em diversos aspectos, e fiquem tranquilos pois apesar do Blog ter ganho um ar meio reclamão, não pretendo aqui acabar com a cidade de Paris, não pretendo ser tão iconoclasta assim, o máximo que digo é que o Rio de Janeiro é, de longe, bem mais bonita.
Mas aqui existe uma rotina que, apesar de uma desvantagem de que falarei depois, traz consigo um caráter de eterno encantamento, ainda mais para um mineiro que nasce com a nostalgia dos trens da Central que nunca viu rodar em suas terras: andar de metrô!

Paris vive subterraneamente: as 14 linhas de metrô que rasgam a pequena cidade (Paris tem um tamanho próximo ao de Belo Horizonte) criam uma agitação acelerada que não transparece no andar térreo. Mesmo sem garantir o fim dos engarrafamentos, é ele que faz a cidade andar numa malha tão ampla que às vezes me parece desperdiçada por não ser transformada em montanha russa pública, com subidas e descidas radicais, que seria ainda mais emocionante! Mas mesmo assim o metrô tem seus encantos, e um deles é o desespero de quem fala e acredita no Esperanto. Os trens de Paris são a prova viva de que uma língua única é desnecessária no mundo: poucas vezes peguei um carro sem ouvir pelo menos três línguas (das que são identificáveis) diferentes e ninguém perde o fio da meada por causa disso, mesmo quando ouvimos o nome da estação Franklin Roosevelt ser pronunciado como Franklã Roosevelt, todo mundo desce no lugar certo! E mesmo se descer errado, o clichê que diz ser bom se perder em Paris é verdade (aliás, tá pra surgir a cidade em que não seja bom se perder).
Mas o metrô têm um lado sombrio que é exatamente não vermos a cidade. Poucos trajetos não são subterrâneos, de modo que acabamos conhecendo Paris pelas cores de cada linha, pelos nomes das estações: moro perto da Jules Joffrin, linha verde ou 12, ou da Simplon, linha roxa ou 4, estudo perto de Rennes, gosto de bater pernas com Renata no Château Rouge e adoro ir lá para os lados da Odeon. Em verdade, não utilizamos tal toponímea para definir os destinos dos passeios cotidianos, não são muitos os nomes de estação que coincidem com a região do andar de cima (aqueles geralmente se referem às ruas que estão sobre nossas cabeças), porém, é assim que acabamos pensando a cidade.

É assim que vamos construindo o mapa em nossa cabeça, um mapa que se confunde em seus diferentes níveis, em nossa mente é como se o metrô de vez em quando rasgasse o asfalto e saltasse pela rua e fôssemos aos poucos dominando Paris, que, assim como seus moradores, não se abre tão facilmente. Mas quando se abre é bem generosa, e esta é, talvez, a maior vantagem de andar de metrô: sempre que se sai de uma estação se tem a impressão de que algo novo está se mostrando aos poucos, como vento levantando saia curta; e os segundos, ou minutos, de completa falta de direção quando se alcança a rua te obrigam a observar sempre a paisagem para se localizar, por mais conhecida ela que seja, quebrando assim o pior vício da rotina, a indiferença!


P.S.: Existe um livreto ótimo daqui sobre objetos encontrados no metrô, dentre instrumentos musicais e uma perna mecânica, já encontraram fantasia do carnaval carioca!
Quem quiser conferir a rede metrô daqui: http://www.ratp.fr/

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Nós somos do Clube Atlético Mineiro...

GAAAAAAALOOOOOO!!!!!!!!!

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Ainda sobre a eleição...

Sabem que política é igual cachaça e sabem também o quanto gosto de cachaça...de todas! De modo que me é difícil parar de falar disso, ainda mais diante de uma situação como a atual: as eleições presidenciais. Como estão chegando ao fim, acredito que em breve começarei a falar mais sobre outros assuntos um pouco menos duros, mas não menos importantes.
Quarta-feira passada, dia 2 de maio, ocorreu o tão esperado debate eleitoral entre os candidatos do segundo turno. É um evento tão esperado aqui quanto no Brasil. O histórico dos debates eleitorais aqui é super interessante. A guerra começou ainda com Mitterand, em sua primeira eleição, quando perdeu por pouco e certamente o resultado fora influencado por sua péssima, sobretudo ingênua, participação no debate, isso fora em 1974...Depois os mesmos candidatos se enfrentaram em 1981 e Mitterand já estava bem mais preparado, senão "marketinezado" e papou não apenas o debate como a eleição. O seguinte fora o famoso debate Mitterand X Chirac, quando este repetiu a "performance" do anterior em 74 (vale à pena fuçar sobre o famoso "regarde dans mes yeux!!"). Eis que Chirac ganhou depois de Jospin e eis que, em 2002, aconteceu de não haver debate...Caso não se lembrem em 2002 a esquerda não foi ao segundo turno, depois de uma estratégia de boicote às eleições o segundo turno foi disputado entre Chirac e Le Pen, e aquele se recusou a debater com um candidato como Le Pen, papou as eleições assim mesmo e deixou os franceses com vontade de quero mais... Até quarta-feira passada quando Segolène e Sarkozy protagonizaram um debate bem interessante que, na minha opinião, reforçou minha visão negativa da moça...dele eu não esperava nada mesmo!
E eis porque eu digo que ela enfraquece, e quando digo "ela" me refiro obviamente ao PS, o debate da esquerda, utilizando-se de argumentos à lá PT, isto é, buscando um capitalismo doce...
Vou apresentar-vos mais concretamente minhas críticas a ela a partir do debate, não pensem que acredito que tudo que ela disse é ruim e nem mesmo que penso que Sarkozy é um melhor candidato, mas vamos ao que interessa:

Quero uma França competitiva, onde inclusive as universidades de cada região francesa auxilie as empresas a crescer e se desenvolver! Foi mais ou menos assim que propôs a melhoria da economia francesa...e onde mora o perigo? Primeiramente, não acredito em sociedade competitiva, prefiro uma sociedade cooperativa e as diferenças são enormes!!! Não quero universidades voltadas para um desenvolvimento econômico, mas prefiro um desenvolvimento econômico que beneficie a educação, esta é um objetivo humano, não aquela! Não acredito que será a partir de uma economia competitiva que os empregos voltarão nem aqui, nem na China (he,he). E, ainda mais, não posso crer que alguém que se diga de esquerda conceba uma sociedade focada na competitividade...

O Iran não deve enriquecer urânio nem mesmo para fins civis, posto que não aceita visitas das comissões internacionais para averiguar sua produção! Ora, por acaso a França vai parar de produzir bombas? Por acaso a França pode abrir mão da energia nuclear? E por que o Iran não pode? Porque esta presunção, esta necessidade de superioridade, essa arrogância?

Não vou mais me deter aqui porque o post está já enorme, mas ainda haveria mais argumentos do mesmo naipe. Findo com o seguinte: o autoritarismo, a arrogância e a competitividade ela devia ter deixado para o Sarkô, que é bem mais eficiente nisso, conquista mais votos junto a quem acredita nisso e faz melhor, afirmando, por exemplo, que não acredita em uma sociedade igualitária, mas acredita que quem trabalha mais deve ganhar mais...enfim, ele sim acredita na competitividade...e quem crê nisso vai votar nele...eu votaria se acreditasse!
Mais do que nunca a esquerda tem que repensar suas estratégias, suas ações, suas idéias e, principalmente, seu autoritarismo e arrogância, ou deixaremos sempre a direita ganhar, pois nisso eles são mais sinceros e eficientes do que nós, temos que parar de temer e acreditar mais em nossos projetos e não sonhar com um capitalismo doce...sinto muito amigos, mas Sarkô vai ganhar! Felizmente o Galo também!