terça-feira, 19 de junho de 2007

A torre de Babel!


Depois de muito tempo sem escrever, retorno ao Blog. A ausência se deu devido a uma série de viagens em um curto espaço de tempo: Berlim em maio, Lisboa e Madri em junho... Não vou escrever sobre Berlim, desolée, não estou muito afim... Mas não posso deixar de relatar a aventura vivida em Lisboa e a grata surpresa que foi Madri!

Fui a Lisboa para participar de um Congresso, o FICYURB (Firts International Congress of Young Urban Researchers - https://conferencias.iscte.pt/index.php?cf=3), onde apresentei um trabalho sobre meu mestrado a respeito da tentativa de colocação autoritária de um muro em torno da minha querida Favela da Maré (saudades da cerveja e da carne de sol com mandioca!!!!!!!!!). Enfim, não estou aqui para dissertar sobre nenhum tema acadêmico agora, mas não posso fugir de lhes contar o inusitado que foi participar de um Congresso Internacional cujas línguas oficiais eram o inglês, o francês e o português! Desnecessário falar que a maioria absoluta dos trabalhos foram apresentados através da última flor do Lácio! No mínimo, hilário!

Obviamente que alguns presentes, como turcos, indianos e canadenses acabaram se sentindo um pouco desconfortáveis em muitos debates. Mas não pude deixar de perceber ali um conflito que representava algo muito além do Congresso. Foi instigante ver a reação das pessoas diante de uma língua incompreendida, e perceber que aquela língua era a sua. Estranho sentir-se como o dominador. De certa forma, naquele espaço e naquele momento, quem falava português detinha o poder. Conseguia vantagens não apenas intelectuais ao desfrutar de todos os debates, mas também conseguia achar mais fácil o banheiro, tomar um café, pedir um isqueiro emprestado (em Portugal se fuma até no Ministério da Saúde, uma beleza!!). Mas ao mesmo tempo é incômodo perceber que os outros ficam de fora, saber que você está perdendo alguma boa contribuição ao seu debate porque aquele italiano lá do cantinho não entendeu sua apresentação...e, enfim, mais do que tudo, deu para perceber que essa história de língua predominante é uma merda e que estamos longe de arranjar uma solução para isto, pois caso todos falassem em inglês ou francês os excluídos mudariam, mas não desapareceriam! Recomendo a vocês assistir um filme que me indicaram uma vez que trata disso de uma forma interessantíssima, coincidentemente, ele é português: "Um filme falado"

Termino com as impressões que tive de Madri e é impossível não compará-la a Paris...Madri também é linda, é mais alegre, mais barata e nos reserva mais surpresas que Paris! Não que ma ville d'aujourd'hui seja monótona e feia, mas os três dias passados em Madri com amigos (novos ou não) todos queridos, foram uma recarga de energia boêmia...há quanto tempo não saía para encher a cara, rir na rua de madrugada e sentir calor humano. Adorei Madri e repito, não é que em Paris não se encontre essa alegria, mas em Madri a gente tropeça nela, até porque depois da bebedeira, a gente tropeça em tudo mesmo! Olé!!!