Sabem que política é igual cachaça e sabem também o quanto gosto de cachaça...de todas! De modo que me é difícil parar de falar disso, ainda mais diante de uma situação como a atual: as eleições presidenciais. Como estão chegando ao fim, acredito que em breve começarei a falar mais sobre outros assuntos um pouco menos duros, mas não menos importantes.
Quarta-feira passada, dia 2 de maio, ocorreu o tão esperado debate eleitoral entre os candidatos do segundo turno. É um evento tão esperado aqui quanto no Brasil. O histórico dos debates eleitorais aqui é super interessante. A guerra começou ainda com Mitterand, em sua primeira eleição, quando perdeu por pouco e certamente o resultado fora influencado por sua péssima, sobretudo ingênua, participação no debate, isso fora em 1974...Depois os mesmos candidatos se enfrentaram em 1981 e Mitterand já estava bem mais preparado, senão "marketinezado" e papou não apenas o debate como a eleição. O seguinte fora o famoso debate Mitterand X Chirac, quando este repetiu a "performance" do anterior em 74 (vale à pena fuçar sobre o famoso "regarde dans mes yeux!!"). Eis que Chirac ganhou depois de Jospin e eis que, em 2002, aconteceu de não haver debate...Caso não se lembrem em 2002 a esquerda não foi ao segundo turno, depois de uma estratégia de boicote às eleições o segundo turno foi disputado entre Chirac e Le Pen, e aquele se recusou a debater com um candidato como Le Pen, papou as eleições assim mesmo e deixou os franceses com vontade de quero mais... Até quarta-feira passada quando Segolène e Sarkozy protagonizaram um debate bem interessante que, na minha opinião, reforçou minha visão negativa da moça...dele eu não esperava nada mesmo!
E eis porque eu digo que ela enfraquece, e quando digo "ela" me refiro obviamente ao PS, o debate da esquerda, utilizando-se de argumentos à lá PT, isto é, buscando um capitalismo doce...
Vou apresentar-vos mais concretamente minhas críticas a ela a partir do debate, não pensem que acredito que tudo que ela disse é ruim e nem mesmo que penso que Sarkozy é um melhor candidato, mas vamos ao que interessa:
Quero uma França competitiva, onde inclusive as universidades de cada região francesa auxilie as empresas a crescer e se desenvolver! Foi mais ou menos assim que propôs a melhoria da economia francesa...e onde mora o perigo? Primeiramente, não acredito em sociedade competitiva, prefiro uma sociedade cooperativa e as diferenças são enormes!!! Não quero universidades voltadas para um desenvolvimento econômico, mas prefiro um desenvolvimento econômico que beneficie a educação, esta é um objetivo humano, não aquela! Não acredito que será a partir de uma economia competitiva que os empregos voltarão nem aqui, nem na China (he,he). E, ainda mais, não posso crer que alguém que se diga de esquerda conceba uma sociedade focada na competitividade...
O Iran não deve enriquecer urânio nem mesmo para fins civis, posto que não aceita visitas das comissões internacionais para averiguar sua produção! Ora, por acaso a França vai parar de produzir bombas? Por acaso a França pode abrir mão da energia nuclear? E por que o Iran não pode? Porque esta presunção, esta necessidade de superioridade, essa arrogância?
Não vou mais me deter aqui porque o post está já enorme, mas ainda haveria mais argumentos do mesmo naipe. Findo com o seguinte: o autoritarismo, a arrogância e a competitividade ela devia ter deixado para o Sarkô, que é bem mais eficiente nisso, conquista mais votos junto a quem acredita nisso e faz melhor, afirmando, por exemplo, que não acredita em uma sociedade igualitária, mas acredita que quem trabalha mais deve ganhar mais...enfim, ele sim acredita na competitividade...e quem crê nisso vai votar nele...eu votaria se acreditasse!
Quarta-feira passada, dia 2 de maio, ocorreu o tão esperado debate eleitoral entre os candidatos do segundo turno. É um evento tão esperado aqui quanto no Brasil. O histórico dos debates eleitorais aqui é super interessante. A guerra começou ainda com Mitterand, em sua primeira eleição, quando perdeu por pouco e certamente o resultado fora influencado por sua péssima, sobretudo ingênua, participação no debate, isso fora em 1974...Depois os mesmos candidatos se enfrentaram em 1981 e Mitterand já estava bem mais preparado, senão "marketinezado" e papou não apenas o debate como a eleição. O seguinte fora o famoso debate Mitterand X Chirac, quando este repetiu a "performance" do anterior em 74 (vale à pena fuçar sobre o famoso "regarde dans mes yeux!!"). Eis que Chirac ganhou depois de Jospin e eis que, em 2002, aconteceu de não haver debate...Caso não se lembrem em 2002 a esquerda não foi ao segundo turno, depois de uma estratégia de boicote às eleições o segundo turno foi disputado entre Chirac e Le Pen, e aquele se recusou a debater com um candidato como Le Pen, papou as eleições assim mesmo e deixou os franceses com vontade de quero mais... Até quarta-feira passada quando Segolène e Sarkozy protagonizaram um debate bem interessante que, na minha opinião, reforçou minha visão negativa da moça...dele eu não esperava nada mesmo!
E eis porque eu digo que ela enfraquece, e quando digo "ela" me refiro obviamente ao PS, o debate da esquerda, utilizando-se de argumentos à lá PT, isto é, buscando um capitalismo doce...
Vou apresentar-vos mais concretamente minhas críticas a ela a partir do debate, não pensem que acredito que tudo que ela disse é ruim e nem mesmo que penso que Sarkozy é um melhor candidato, mas vamos ao que interessa:
Quero uma França competitiva, onde inclusive as universidades de cada região francesa auxilie as empresas a crescer e se desenvolver! Foi mais ou menos assim que propôs a melhoria da economia francesa...e onde mora o perigo? Primeiramente, não acredito em sociedade competitiva, prefiro uma sociedade cooperativa e as diferenças são enormes!!! Não quero universidades voltadas para um desenvolvimento econômico, mas prefiro um desenvolvimento econômico que beneficie a educação, esta é um objetivo humano, não aquela! Não acredito que será a partir de uma economia competitiva que os empregos voltarão nem aqui, nem na China (he,he). E, ainda mais, não posso crer que alguém que se diga de esquerda conceba uma sociedade focada na competitividade...
O Iran não deve enriquecer urânio nem mesmo para fins civis, posto que não aceita visitas das comissões internacionais para averiguar sua produção! Ora, por acaso a França vai parar de produzir bombas? Por acaso a França pode abrir mão da energia nuclear? E por que o Iran não pode? Porque esta presunção, esta necessidade de superioridade, essa arrogância?
Não vou mais me deter aqui porque o post está já enorme, mas ainda haveria mais argumentos do mesmo naipe. Findo com o seguinte: o autoritarismo, a arrogância e a competitividade ela devia ter deixado para o Sarkô, que é bem mais eficiente nisso, conquista mais votos junto a quem acredita nisso e faz melhor, afirmando, por exemplo, que não acredita em uma sociedade igualitária, mas acredita que quem trabalha mais deve ganhar mais...enfim, ele sim acredita na competitividade...e quem crê nisso vai votar nele...eu votaria se acreditasse!
Mais do que nunca a esquerda tem que repensar suas estratégias, suas ações, suas idéias e, principalmente, seu autoritarismo e arrogância, ou deixaremos sempre a direita ganhar, pois nisso eles são mais sinceros e eficientes do que nós, temos que parar de temer e acreditar mais em nossos projetos e não sonhar com um capitalismo doce...sinto muito amigos, mas Sarkô vai ganhar! Felizmente o Galo também!
3 comentários:
Este e so um teste
Interessante sua visao. Respondendo a alguns pontos:
1 - O Iran não pode ter armas atômicas porque é signatário do acordo de não proliferação nuclear: http://en.wikipedia.org/wiki/Nuclear_Non-Proliferation_Treaty
2 - A idéia de ter universidades que geram riqueza para a sociedade é o modelo americano. Foi assim que surgiu o Google por exemplo,e é o que gera mais recursos para as universidades melhorarem e extenderem seu ensino. Obviamente, o ciclo se retro-alimenta.
É por isso que as universidades americanas são as melhores do mundo, em contrapartida às universidades da França, que mesmo tendo a 7th maior economia só tem uma universidade entre as 100 melhores do mundo, e mesmo assim muito atrás das inglesas, suiças e alemãs: http://www.msnbc.msn.com/id/14321230/. Indiretamente, é também por isso que a pesquisa na França passa por uma crise histórica: http://recherche-en-danger.apinc.org/spip.php?article1425
3 - Eficiência é a única forma de enriquecimento num contexto competitivo. Existem vários estudos econômicos que mostram isso,assim como o fato de o Estado nao gerar recursos, mas estou com preguiça de mandar os links :-)
É Diomiro.
Li este post e fiquei aqui em conflito com meus botões.
Dizem que a gente muda ao fazer 30 anos. Esse ano eu faço.
E você já fez e não mudou, e esse tipo de coisa forma um dos pilares sobre os quais se sustenta a admiração que eu tenho por ti mas...
o fato é que eu ando mudando mesmo. continuo com a idéia firme de que todos devem ter a sua dignidade (nos mais vários aspectos da palavra)garantida pelo estado mas...
está cada vez mais clara prá mim a nova idéia de que quem trabalha mais (e quem é mais inteligente, mais inovador, mais aplicado, mais ~competitivo~ - argh palavra horrível) TEM QUE GANHAR MAIS, PORRA.
Resumindo o testamento: isso me faz um hipotético eleitor do Sarkô?
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